Vitor Ramil

Tapera

Vitor Ramil


Rancho de barro caĂ­do
Num canto Ă  beira da estrada
Algum tempo foi morada
Do velho guasca tropeiro
Foi pouso de carreteiro
E do Ă­ndio da pĂĄ virada

Se vĂȘ o sinal do palanque
Do pĂĄra-peito e cercado
E um pĂ© de umbĂș bem criado
Onde se dormia a sesta
Braço curvado na testa
Sonhando com o passado

Deixei gravado na casca
A data marcando a era!
Gravar de novo eu quisera
O que deixei no rincĂŁo
E tirar de riba do chĂŁo
A cicatriz da tapera

Se vĂȘ a estrada da pipa
Sinal do forno, a figueira
E o tronco de uma tronqueira
Que se quebrou numa lida
A casa grande caĂ­da
E o quadro onde foi mangueira

Pedaço triste do pago
Quando a noite vem chegando
E o gado vem farejando
Procurando uma pousada
Lambendo a guincha esfiapada
Que o tempo vai derrubando

Quando ali passa o gaudério
De noite com tempo feio
Quase sempre tem receio
Que ali exista um assombro
Atira o poncho no ombro
E levanta o pingo no freio
Compositores: Joao da Cunha Vargas (UBC), Vitor Hugo Alves Ramil (Vitor Ramil) (UBC)Publicado em 2009 (04/Dez) e lançado em 2010 (10/Mar)ECAD verificado obra #4745145 e fonograma #1699713 em 01/Abr/2024

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